O mercado de carbono consiste na comercialização de créditos de redução de emissão de gases de efeito estufa (GEE) com o objetivo de frear o aquecimento global acelerado. Cada crédito corresponde a uma tonelada equivalente de dióxido de carbono (tCO2e) que deixou de ser emitido ou foi absorvido pela atmosfera.

O Protocolo de Kyoto teve um papel decisivo no desenvolvimento do mercado de carbono, na medida em que estabeleceu metas concretas de redução de emissões para os países desenvolvidos e permitiu a flexibilização do cumprimento destas metas com a adoção de mecanismos de mercado, os chamados mecanismos de flexibilização.

Como os GEEs se misturam na atmosfera independente de fronteiras políticas, do ponto de vista ambiental não importa se a redução de emissões ocorre neste ou naquele país em específico - o que importa é que haja uma redução de emissões global. Assim, o mercado de carbono permite que um país adquira reduções de emissão geradas em outro país, de forma a cumprir parte de suas próprias metas de redução.

Apesar de ser talvez o ponto de partida, além de elemento catalisador, para o estabelecimento do mercado de carbono, o Protocolo de Kyoto não é o único instrumento motor do mercado.

Mesmo antes da entrada em vigor do Protocolo, diversos governos e empresas já vinham tomando medidas de redução de emissão de GEEs. Em 2002, por exemplo, entrou em operações o Esquema de Comércio de Emissões do Reino Unido (UK Emissions Trading Scheme), um regime voluntário do tipo Cap-and-Trade que estabelece um teto máximo para fontes de emissão de larga escala. De forma semelhante, a União Européia deu início a seu Esquema de Comércio de Emissões (EU ETS – EU Emissions Trading Scheme) em janeiro de 2005. Embora tenha se antecipado ao Protocolo, o EU ETS e outras iniciativas semelhantes ainda em desenvolvimento - como os planos do Japão e Canadá - foram desenvolvidos em conformidade com as metas estabelecidas por Kyoto.

Mas existem também regimes de mercado que não se enquadram no Protocolo (non-Kyoto compliance). Nos EUA e Austrália, países que não assinaram o Protocolo, governos de estados desenvolveram regras próprias de restrição de GEEs e comercialização de créditos de carbono. Em geral, os mercados "não-Kyoto" procuram atender às exigências técnicas do Protocolo, mas estabelecem metas de reduções de emissão menos rigorosas.

Além disso, algumas empresas estabelecem metas voluntárias de reduções de emissão, como ocorre na Bolsa do Clima de Chicago. Neste caso, a participação no mercado de carbono tem razões estratégicas como, por exemplo, para demonstrar responsabilidade social empresarial, desenvolver estratégias de relações públicas e posicionamento, para aprender na prática, experimentar diferentes tipos de contratos, etc.